Pico Alto

O Pico Alto localiza-se na freguesia de Santa Bárbara, concelho da Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, nos Açores.

É o acidente geológico dominante da ilha, com o seu pico elevando-se a 587 metros acima do nível do mar.

Devido à sua altitude é determinante para o ciclo hidrológico na ilha, promovendo a intercepção da humidade dos ventos e permitindo a formação de nuvens orográficas em seu topo, o que propicia a chamada precipitação oculta. A água assim obtida permite condições para a existência de uma vegetação rica em suas encostas e de algum pasto.

Nesta região situam-se as freguesias de Santa Bárbara e de Santo Espírito, as mais rurais e mais agrícolas da ilha e as elevações do Pico da Faleira, do Pico do Penedo.

Do cimo deste pico é possível ter uma vista panorâmica sobre a paisagem da ilha.

A queda do Boeing 707-300

Aqui se registou a queda de uma aeronave de passageiros Boeing 707-331B, às 13:30h (hora local) de 8 de fevereiro de 1989. Pereceram 137 passageiros e 7 membros da tripulação, no que se constituiu, à época, no “o maior desastre aéreo ocorrido em território nacional“. O impacto deu-se a 546 metros de altitude, durante a manobra de aproximação à pista, a uma velocidade de 226 nós (426 km/k), acarretando a dissipação dos destroços por uma vasta área. Os corpos, carbonizados, mutilados e irreconhecíveis, distribuíram-se por vários quilómetros quadrados, na mata.

As causas apontadas pela investigação para o acidente foram:

  1. Devido à transmissão da Torre de Controlo do Aeroporto de Santa Maria, a aeronave ficou 240 pés abaixo do que era indicado a bordo;
  2. Comunicações técnicas deficientes por parte do 1º oficial que começou a fase descendente para os 3000 pés, indicados pela torre de controlo, sem que esta tivesse acabado a transmissão;
  3. A torre de controlo não confirmou se as transmissões para a descida foram recebidas;
  4. A tripulação não respeitou os procedimentos estabelecidos nos manuais da companhia, nomeadamente no que diz respeito à disciplina de cockpit, ao briefing de aproximação e à confirmação das autorizações para a descida, uma vez que se encontravam abaixo dos 10000 pés (3048 metros) de altitude;
  5. Apatia geral da tripulação, no que diz respeito, ao GPWS e aos valores mínimos de altitude;
  6. Não houve uso da fraseologia standard, tanto por parte do controlador aéreo, quanto pela tripulação, nas comunicações;
  7. Inexperiência da tripulação em vôos internacionais, principalmente do 1º oficial;
  8. Treino deficiente da tripulação no que concerne ao GPWS;
  9. Utilização de uma rota não autorizada segundo a AIP-Portugal (Aeronautical Information Publication);
  10. O plano de voo foi efetuado de uma forma deficiente.

Entre os 170 acidentes envolvendo aeronaves Boeing 707, este foi o quarto com maior número de vítimas. Após o acidente a Independent Air viu suspensos os seus contratos com os operadores turísticos e veio a encerrar as suas atividades em 1990. O desastre também impulsionou a criação da corporação de bombeiros voluntários de Vila do Porto.

Reserva Natural da Baía de São Lourenço

A baía de São Lourenço serviu, até à época dos antigos paquetes, como porto alternativo de abrigo ao de Vila do Porto. Por aqui se baldeavam, em caso de necessidade, mala postal e passageiros de e para a ilha.

Para a sua defesa, existiu outrora uma fortificação, o Forte da Baía de São Lourenço.

Encontra-se classificada como Reserva Natural desde 1987.

Com 113 hectares de área, localiza-se numa cratera vulcânica cujo abatimento, no rebordo voltado para o mar, deu origem a uma baía.

A área classificada abrange a praia de São Lourenço, da ponta dos Matos, a Norte, à ponta Negra, a Sul, de areias acastanhadas, e os vinhedos aninhados na encosta, dispersos em currais divididos ora por sebes vivas, ora por muros baixos de pedra basáltica, onde se produz o chamado vinho de São Lourenço. Compreende ainda o ilhéu de São Lourenço, a Sul, fronteiro à ponta Negra.

Apresenta vasta biodiversidade, sendo apreciada para o mergulho de observação. As águas da baía apresentam uma profundidade média de 12 metros, com um fundo geralmente de areia entrecortado por rochas.

Em 20 de outubro de 1988 foi fundado o “Círculo de Amigos de São Lourenço”, associação constituída para “(…) defender os interesses turísticos do lugar de veraneio da baía de São Lourenço (…)“, e que, a par de outras atividades, é responsável pela organização das festividades de Verão.