Casamatas do Pico Alto

As Casamatas do Pico Alto localizam-se no cume do Pico Alto, na freguesia de Santa Bárbara, concelho da Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, nos Açores.

Foram erguidas, como as Casamatas da Serra do Cume na ilha Terceira, no contexto da Guerra Fria, na sequência da constituição do Pacto de Varsóvia (1955), entre os anos de 1956 e 1957, com o fim de abrigar uma estação de radar, sob responsabilidade da Força Aérea Portuguesa.

Atualmente encontram-se desativadas, em condições precárias de conservação, abrigando um centro de transmissões radiofónicas.

Constituem-se em um complexo militar integrado por três casamatas construídas em betão armado e embutidas no talude, ao longo do caminho que bordeja o cume do Pico Alto. A parte visível de cada unidade consiste num pano de parede rebocado, com alguns vãos, entre dois contrafortes.

Ermida de Jesus, Maria, José

A Ermida de Jesus, Maria, José localiza-se no extremo norte da praia de São Lourenço, na freguesia de Santa Bárbara, concelho da Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, nos Açores.

Foi erguida em 1717 por iniciativa do padre Belchior Barreto, que foi vigário de quase todas as freguesias da ilha, tendo entretanto se mantido mais tempo na de Santa Bárbara. Referido como de posses, entre elas contavam-se terras de vinha na fajã de São Lourenço.

A ermida remonta ao século XVIII, integrante do chamado “Solar Vermelho”.De acordo com o padre Jacinto Monteiro, o solar e a sua quinta pertenceram em tempos idos à família dos Sousa Coutinho, encontrando-se à época nas mãos da família Gago da Câmara.

Em alvenaria de pedra rebocada e caiada, apresenta planta retangular com a sacristia adossada à fachada lateral direita e uma construção de apoio.

A fachada é emoldurada por dois cunhais encimados por pináculos, um soco e uma cornija que acompanha e remata as águas do telhado, com uma cruz na cumeeira. A portada é emoldurada por pilastras e cornija dupla onde assentam pináculos laterais e um elemento decorativo/simbólico em relevo ao centro.

Do lado direito da fachada ergue-se um campanário, com sino, recuado em relação à fachada mas saliente em relação ao corpo da sacristia ao qual se adossa. Tem vão rematado em arco de volta perfeita, encimado por uma pequena cornija e está assente no prolongamento da cornija da fachada.

A cobertura é de duas águas, em telha de aba e canudo, rematada por beiral simples.

No interior destaca-se, no frontão do altar, um painel de azulejos em estilo barroco, representando três frades e três freiras de joelhos diante da Sagrada Família, juntamente com o Morgado Sousa Coutinho e sua esposa. Estes últimos trajam vestes de gala com cabeleiras empoadas à moda pombalina.

É acedida por uma rampa na antiga quinta. No cimo da rampa, um segundo portão dá acesso à parte mais privada da quinta e, à esquerda, a uma série de degraus que levam ao adro da ermida. Todo o muro de suporte da propriedade, situada numa plataforma elevada, é rebocado e pintado de almagre. No extremo esquerdo da plataforma, junto ao muro, está um mirante rústico, integrante da propriedade.

Ermida de Nossa Senhora de Lurdes

A Ermida de Nossa Senhora de Lurdes localiza-se na freguesia de Santa Bárbara, concelho da Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, nos Açores.

Trata-se do primeiro templo erguido nos Açores em honra de Nossa Senhora, após as aparições em Lurdes, na França, em 1858.

A festa da padroeira tem lugar, anualmente, em 13 de fevereiro.

Em alvenaria de pedra rebocada e caiada, apresenta planta retangular, com o corpo da sacristia adossado à lateral esquerda. Destaca-se por ser a única ermida no arquipélago com a portada voltada para o Norte.

A fachada é rasgada pela portada, ladeada por duas janelas e encimada por um óculo circular. Os três vãos inferiores são rematados em arco quebrado sobre impostas.

A fachada lateral direita é rasgada por uma janela com vitral.

A sacristia tem uma porta rematada em arco quebrado.

A cobertura é de duas águas, em telha de meia-cana tradicional, rematada por beiral duplo.

Ermida de Nossa Senhora do Desterro

A Ermida de Nossa Senhora do Desterro localiza-se na praia de São Lourenço, freguesia de Santa Bárbara, concelho da Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, nos Açores.

A ermida foi erguida no século XVII junto às casas, em terras de vinhedo na fajã de São Lourenço (hoje junto à estrada regional), por iniciativa do capitão Manuel Curvelo da Costa, almoxarife da Fazenda Real, mercador e armador, e sua esposa, Maria Jácome de Macedo, que desposou na Igreja Matriz de Vila do Porto. Os benfeitores deram-lhe fábrica de sua fazenda e determinaram que nessa ermida se dissesse missa e nela permanecesse o franciscano que fosse à esmola no tempo do Verão. (FRUTUOSO, Gaspar. Saudades da Terra, Livro III. Anotações.)

FERREIRA (1997) esclarece que os doadores desta ermida foram Manuel Curvelo da Costa e sua esposa, Maria Jácome de Macedo, por escritura com data de 1661.

É a única ermida relacionada por MONTE ALVERNE, ao final do século XVII, na freguesia de Santa Bárbara.

Atualmente pertence a Maria Inês Batista Braga, herdeira de António Figueiredo Batista e Maria de Jesus Batista.

Apresenta planta retangular, em alvenaria de pedra rebocada e caiada.

A fachada é rasgada por uma porta com verga reta, encimada por uma pequena janela quadrangular.

A cobertura é de duas águas, em telha de meia-cana tradicional.

Em seu interior encontram-se as imagens de Santa Ana, do bispo Belchior e de São Lourenço com o seu símbolo, uma grelha.

Ermida de São Lourenço

A Ermida de São Lourenço localiza-se na praia de São Lourenço, na freguesia de Santa Bárbara, concelho da Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, nos Açores.

Segundo a tradição local, remonta a uma primitiva ermida, reedificada por Duarte da Silva junto de sua residência. MONTEREY a inclui entre as que, na ilha, remontam ao século XVI.

Atualmente encontra-se em mãos de particulares, a família Leandres.

Estação LORAN de Santa Maria

A Estação LORAN de Santa Maria localiza-se no lugar do Norte, na freguesia de Santa Bárbara, concelho da Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, nos Açores.

Trata-se de uma antiga estação integrante da cadeia NATO-D do sistema LORAN-A, operada pela Marinha Portuguesa entre 1965 e 31 de Dezembro de 1977. A cadeia iniciava-se na Estação LORAN de Sagres, prolongando-se até à estação de Santa Maria (STA “I” – Estação I) que, por sua vez operava como “master” dos prolongamentos até à Estação LORAN das Flores (STA “F” – Estação F, ramo 1S7), e à Estação LORAN de Porto Santo (STA “P” – Estação P, ramo 1S6).

Após o seu encerramento (30 de junho de 1978), o Governo Regional manteve vigilantes nas instalações. Em meados da década de 1980, tendo cessado a mesma, o complexo foi saqueado e encontra-se atualmente em ruínas, degradado e recoberto pela vegetação.

Os imóveis e os terrenos onde se implantam pertencem à República Portuguesa através da Marinha Portuguesa e à OTAN através do COMIBERLANT, sendo seus fiéis depositários o Governo Regional e a Câmara Municipal de Vila do Porto.

Trata-se de um conjunto de edifícios e respectivos arranjos exteriores, integrado por um edifício de serviços, uma garagem, grupos de habitações em banda ou simplesmente geminadas, todas de um só pavimento, e, mais afastados, os edifícios de oficinas e de geradores.

O tratamento dos espaços exteriores incluía extensões relvadas e, na parte posterior das casas, quintais individuais.

Junto ao edifício de serviços encontra-se um campo desportivo.

Forte da Baía de São Lourenço

O Forte da Baía de São Lourenço localizava-se no lugar de São Lourenço, na freguesia de Santa Bárbara, concelho da Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, nos Açores.

Em posição dominante sobre o extremo norte da baía de São Lourenço, no litoral este da ilha, constituiu-se em uma bateria destinada à defesa deste ancoradouro contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico.

A baía de São Lourenço serviu, até à época dos antigos paquetes, como porto alternativo de abrigo ao de Vila do Porto.

FIGUEIREDO (1960) assim refere o local e a sua fortificação em 1815: “San Lourenço tem tres cazaes de moradores, neste sítio está a ponta que já se disse chamada do Pe. Manoel de Sousa, um castello com duas peças [de artilharia], vigia em dois logares. (…)

Mais adiante esclarece: “(…) a Bahia de S. Lourenço (…), tendo duas Ermidas, cazas para recreio, um castello e duas vigias e duas peças.“E finaliza: “– Forte sito em S. Lourenço ao Nordeste tem duas peças com vigia.

A “Relação” do marechal de campo Barão de Bastos em 1862 informa que se encontrava demolido.

FERREIRA (1997) recorda:

Um pouco para o norte do porto de São Lourenço, existem umas ruínas que alguns afirmavam, há anos, serem os restos de um fortim.
(…) Das pessoas com que contactei, nenhuma confirmou esse boato, pois as referidas ruínas nem paredes laterais já possuem que pudessem constituir um testemunho inquestionável.
Fica, pois e apenas, a chamada de atenção.

Em nossos dias restam apenas vestígios das suas muralhas.

Igreja Paroquial

A mais antiga referência a este templo encontra-se no testamento de João Tomé, o “Amo”, datado de 13 de março de 1537, acreditando-se que tenha sido feita capela por essa época. De acordo com Gaspar Frutuoso, foi seu primeiro cura o micaelense Bartolomeu Luiz. Ao tempo deste cronista (fins do século XVI) o vigário de Santa Bárbara ganhava 24$000 réis, sendo que mais tarde, em 1700, recebia 7 moios e 19 alqueires de trigo, e 10$333 réis em espécie.

De 1571 a 1616 foi seu pároco o padre Manuel Fernandes Velho, que foi feito cativo pelos piratas da Barbária na incursão à ilha naquele ano. Ao fazer o seu testamento em Tetuão, este religioso deixou um moio e meio de trigo a esta sua igreja, para dourar o retábulo quando este se fizesse.

Em 1661 os paroquianos foram fintados para se acrescentar a igreja, tendo sido requerido à Mesa da Consciência e Ordens para que lhe desse um sino de 8 quintais. Por volta de 1666 havia necessidade de paramentar a capela-mor, tendo se encomendado uma custódia de prata, uma vez que a até então existente era de madeira. Em 1672 nova finta foi lançada para aumentar a igreja.

Sendo a comunidade muito humilde, do exame dos livros da Igreja Paroquial das Visitas (Bispos e outros), depreende-se o esforço para se obter dos Comendadores os recursos para o auxílio e manutenção do culto. Em maio de 1674, o bispo, D. Frei Lourenço de Castro, em visita a esta igreja, ordenou ao padre vigário requerer ao provedor mandar executar a finta lançada aos fregueses e colocar em execução as obras de acrescentamento da igreja, com o que conseguiu concluí-las.

Encontra-se referida por MONTE ALVERNE (1986) ao final do século XVII com vigário, cura e tesoureiro.

Em 1696 proibiram-se as consoadas na sacristia na noite de Quinta-feira Santa.

Sofreu nova intervenção em 1825, data assinalada na base da cruz, no pináculo do frontão.

Aqui exerceu as funções de cura o padre Manuel do Couto Benevides, natural da freguesia de Água de Pau, onde nasceu a 24 de Novembro de 1849, e que se destacou como músico e autor de várias obras, ainda hoje cantadas nas igrejas da ilha. Exerceu ainda, na comarca de Vila do Porto, as funções de advogado de provisão, sendo reconhecido como orador eloquente.

A igreja possuía um passal e várias confrarias.

Ao final da década de 1950 sofreu intervenção de conservação na fachada por iniciativa do então pároco, Cláudio de Medeiros Franco.

A festa da padroeira tem lugar anualmente, em dezembro, com missa e procissão.